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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

IRRIGAÇÃO EM LIMA CAMPOS TEM TECNOLOGIA DE ISRAEL

João Roberto Neto

Icó Modernos sistemas de irrigação com tecnologia importada de Israel, no Oriente Médio, conquistam produtores rurais no sertão do Ceará. Uma experiência inédita, neste município, na região Centro-Sul do Estado, começa a ser implantada na bacia do Açude Lima Campos para o plantio de 15 hectares de milho, por meio do sistema de mini aspersão fixa.

A novidade no município desperta a atenção de outros produtores rurais. A iniciativa é do agricultor, João Roberto Neto, que busca na tecnologia redução de consumo de água, de custo de energia elétrica e de despesas com mão-de-obra, cada vez mais difícil no campo. O plantio do milho foi feito há 45 e deve ser colhido a partir de 15 de setembro próximo. A estimativa de colheita é de 70 toneladas de milho em grão ou de 300 toneladas de silagem.

A implantação de modernos sistemas de irrigação no entorno do açude Lima Campos somente é possível porque há dois anos rede de energia elétrica foi instalada na bacia do reservatório. Construído em 1932, o açude não cumpria com o seu potencial de irrigação de forma adequada desde então.

A terra na bacia do reservatório é fértil, composta de vertissolo (coberto ). Até a primeira metade da década de 1980, era celeiro de produção de algodão. Com o fim do ciclo do conhecido "ouro branco", alguns produtores passaram a cultivar milho e, nas terras inundáveis, arroz, irrigado, no segundo semestre de cada ano. Sem energia elétrica, a irrigação era feita com uso de motores movidos a óleo diesel, que elevam o custo de produção.

Por isso, muitas áreas permanecem ociosas. Entretanto, com a chegada da rede elétrica, a tendência é de que a paisagem do lugar seja modificada e o verde da lavoura irrigada passe a predominar.

Roberto Neto deu o passo inicial. Outros estão em fase de implantação de sistemas de irrigação de aspersão fixa para o cultivo de capim forrageiro: Inácio Sobreira e Fernando Ferreira. "Sem tecnologia que resulte na economia de água e aumente a produtividade, o cultivo não é viável", disse Roberto Neto. "Implantei o projeto por necessidade, para atender à demanda de pequenos produtores e obter renda", observou.

O produtor rural investiu cerca de R$ 100 mil no sistema de irrigação. "A minha ideia é produzir silagem ou vender os grãos de milho para os criadores", disse João Roberto Neto. "No início de setembro vou decidir". O modelo implantado permite três cultivos por ano, com rotação de culturas de ciclo curto para evitar o desgaste do solo.

Roberto Neto pretende, em breve, instalar um sistema de dupla tarifa para possibilitar a irrigação noturna com desconto de até 85%. "Já solicitei o sistema à Coelce", disse. "Estou aperfeiçoando, corrigindo falhas para melhorar a produtividade".

A falta de assistência técnica foi criticada por Roberto Neto. "Estive no escritório da Ematerce, em Icó, mas infelizmente não há apoio, orientação técnica, e a gente tem de aprender errando", reclamou.

De acordo com o tecnólogo em irrigação, Renato Torres, da empresa Servelétrica, especialista em venda e instalação de sistema de irrigação, nos últimos cinco anos vem crescendo a venda de modernos modelos baseados em tecnologia israelense. "Em todos os meses, são implantados cerca de 40 hectares e as culturas de milho e capim predominam", afirmou.

O sistema de mini aspersão fixa é automatizado e permite o controle da área a ser irrigada, com horário pré-definido, quantidade de água liberada, medida em milímetros, de acordo com a cultura, as características do solo e clima. Há possibilidade ainda de adição de adubo diluído na água. "A eficiência de irrigação é em torno de 85%", explica Torres. "Resulta em economia de água, redução de consumo de energia e também dos custos de produção".

Fonte: Diário do Nordeste

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