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segunda-feira, 4 de junho de 2012

SEU LIVINO


Livino de Sousa Neto, agricultor nascido em 1942 em Itaporanga na Paraíba.
Residiu em Lima Campos de 1964 a 1966 e depois, de 1974 a 2000.  Atualmente mora em Icó, "lugar calmo", mas toda semana ele dá um jeitinho de ir a Lima Campos, onde continuam a residir alguns de seus filhos.
Atento às mudanças dos tempos, seu Livino relembra quando possuía um bar em Lima Campos e quando nele entrava um gerente de banco era o mesmo que entrasse "um santo" e ai era "uma galinhada da peste".
Tempo em que as festas do Cine Hotel eram apenas para brancos e só permitiam que ele entrasse "quando tava bebo" e, justamente com o negro que era funcionário do DNOCS, cada qual com um revólver na cintura, entravam na festa e eram muito bem recebidos.
Tempo em que para tudo, em Lima Campos, era necessário pedir licença ao "chefe" local do DNOCS, que segundo seu Livino afirma, "era que nem Deus quando apareceu no mundo".

"... A gente ia fazer uma casa, ia pedir ele mandava fazer de taipa, se colocasse um tijolo, o trator chegava a derrubar".

Diz que proibição de construir casas de tijolos se acabou e ele contruiu seu prédio de primeiro andar, uma novidade no povoado.

" ... Quando eu fui fazer meu prédio, prédio de primeiro andar, o povo de Lima Campos chamava: Como é que a pessoa, um doido desse vai fazer um quixó no meio da rua? Que era o primeiro andar, que foi o primeiro que fez foi eu, que existiu o da quina né, se chamava quixó, quixó faz é vergonha a rua, a cidade uma casa em cima da outra, mas num tem nada não, vou fazer e fiz".

Seu Livino relembra que os de sua geração apreciavam a cachaça Aracati, os banhos no açude e as músicas de Luiz Gonzaga, Agnaldo Timóteo e Waldick Soriano.
Para eles, eram únicas diversões possíveis nos dias que eram festivos.
E que, em determinado período, só havia um aparelho de televisão no povoado, na zeladoria do DNOCS.

"... Lá o empregado ia, destrancava até nove horas, ai a gente assistia uma novela de... Como era o nome da peste da novela?
Antônio Maria, ai era todo mundo, ai saia mulher buchuda, moça buchuda, o diabo lá, pois é.
Era um absurdo e lá só tinha essa televisão, ia o pessoal da bacia do açude, ia quase todo mundo pra assistir televisão".

Extraído do livro: Bem Vindo ao Reino do Louro e da Peixada. (José Mapurunga)


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